PROJETO ESPAÇO ABERTO

atividades "cultura, educação, esporte, entreternimento

17 anos de solidão

17 anos de solidão
Carlos Mettal

quão infinito
é o amor
compartido
com uma mulher
gavetas dele
armários dela
certificado mundano
aprova a solitude do exílio
desse escrevente do enigma das palavras
pois ainda não é o pensamento transcrito pronunciado
a primeira virgem se tornou prostituta
assustada com as lágrimas de sangue
se trancou entre lençóis brancos de nuvens ou tempestades
a dama do pregador era o próprio pecado e a pura absolvição
depois das seis e antes da meia noite ela era somente oração
hora de ir
hora de vir
hora de penetrar
hora de submergir
quão profunda é a paixão no fundo do abismo
enquanto a pena flutua esculpindo as pedras dentro da solidão
a noite encontra os traços da memória sem rastros de sedução
a donzela ainda continua nas esquinas
a bailarina não queria filhos
foi ao parque com as suas crianças
ainda que o varal estenda a poesia
esse não é o pensamento provido
nas escrituras de si no poema do dia
não guarda palavras
não aprisiona frases
não há letras vazias
o sêmen dá vida
o poeta ressuscita os mortos
essas almas feito névoa
voando tal pássaro sobre o jazigo
aonde estão as penas?
as correntes são as imaginações
enquanto os rios estão correntes
aonde param os sonhos não nascem flores
nem mais amores

Amarelo

Amarelo
Carlos Mettal

Amar é elo
amarelo
que minero
na mina
do coração
dela!

Ária do Alquimista de Titânio

Ária do Alquimista de Titânio
Carlos Mettal

Ó peito encouraçado, mas pequeno
apertado abre espaço ao dia eterno
nesta alma virgem de toda calma
encorpa os lábios de beijos a alma
aroma infinito de terra e água
quebrando granizos contra a rocha
transforma essa fúria de pedra

Ó sangria da tortura de violetas
nas matas tangíveis da perdição
ora, seiva odores de deleite insano
ora, lembra o amor de imagem soberana
se fosse apenas montanhas ao alto
o cume mais distante não me deteria
pois existem ainda as nuvens voláteis

Ó beijo bendito se palavra fosse minha
escravo seria os meus passos em tua direção
afastando a multidão que sonha a ilusão
entre os tentáculos da realidade
tombam as flores ao peso da neve
desse turbilhão que avança em avalanche
bravia é essa sedução que nos consome

Ó solidão preenchida de distâncias
dominantes vogais escondidas no capitel
capitula esses versos claros de escuridão
nas íris redondas do diamante pontilhado
até o romper da manhã ao som dos sinos
onde a capela guardam as borboletas
orvalhando os campos ao leito da paixão

E na fibra que forma o arco-íris
mais forte é a vontade que a chora
esse lamento de beleza vibrante canção
Ó cruz que carrego escada acima
Ó redenção que me redime o pecado
Ó impassível amor que potencializa a dor
vela esse homem sem queixas nas rimas

Ó sonho de sonhador semeador
deito-me como o ontem olhando estrelas
esses fogos de artifício são divinos
que me tornam crente sob o cativo beijo
eis aqui a razão desse cântico sem métrica
pois se te amo, é bastante o motivo!
pois se te amo, é bastante o motivo…

Nota para a ausência

Nota para a ausência

Bom dia sempre fuso horário.
Ausento-me do espaço da amizade
até o ano de 2018 para cumprir em concentração as escrituras da monografia ao curso de Arquitetura e Urbanismo.
Agradecido por todas as vossas influências, as quais complementam
o meu crescimento.
Mantenham-se em segurança e paciência frutificando ações de bondade e benevolência, pois essa é a verdadeira fortuna.
Pratique os cinco movimentos e observem os seus resultados. Lembrem-se: não é a força que nos conduz à realização de grandes feitos, mas o pensamento.

Abraços e beijos para todos
Carlos Mettal

Ctrl verso (ou Canto erótico)

Ctrl verso (ou Canto erótico))
Carlos Mettal

Seus lábios que me beijam!
Se meus lábios te beijam
deixemos-nos como o sabor do vinho
dançando no paraíso da boca
uma música de fragrâncias
que exala perfumes da tua pele
refinado aroma como o som do teu nome
nos sonhos de uma adolescente
aperta a minha mão e segue-me
aos aposentos longe dos olhos virgens que te desejam
razão pela qual tu nos embriagas com tamanha beleza e sutileza
Se tua cor escurecer
é por causa do sol que te queima
quando fosses guardiã das vinhas
mas a tua própria uva não guardastes
por isso não te renego
pois és bela e formosa flor no cálice do meu entorpecer
ao entardecer mostra-me os campos aonde pastoreias o teu rebanho
assim te seguirei longe dos olhares alheios
vais tão radiante entre todas elas
segue essas pegadas ao som do sino
ao cair estrelas no céu
te alimentarei com o orvalho da minha sede
repousas como carruagem no pátio
com as tuas ancas tão grandiosa
sobre a macia relva
despe as tuas joias que ornam as curvas da tua face
tu és mais bela aos meus olhares
com os últimos raios desse sol amarelo
encanta-me com a tua voz
enquanto escuto os teus seios
nesse divã de poente
exala suspiros como o cedro
sustentando a estrutura dessa morada
suave é o teu lírio no vale
entre espinhos me atrevo a te procurar
distante de todas as donzelas
Vem amado meu
como a maçã no bosque
adocicando o meu paladar
segura-me forte
pois desfaleço ao teu sabor dentro de mim
segura-me pelos cabelos
e abraça-me como o encontro das nuvens
o inverno já cessou
e essa chuva que sinto me refresca
como a terra antes do plantio sob o teu arado
esperemos o dia acontecer
com as suas sombras aladas
somos como uma alma unificada
por esse amor ser amado
dignos de sermos bebido
aos dentes

Recado aos amigos distantes

Recado aos amigos distantes

Cecília Meireles

Meus companheiros amados,
não vos espero nem chamo:
porque vou para outros lados.
Mas é certo que vos amo.

Nem sempre os que estão mais perto
fazem melhor companhia.
Mesmo com sol encoberto,
todos sabem quando é dia.

Pelo vosso campo imenso,
vou cortando meus atalhos.
Por vosso amor é que penso
e me dou tantos trabalhos.

Não condeneis, por enquanto,
minha rebelde maneira.
Para libertar-me tanto,
fico vossa prisioneira.

Por mais que longe pareça,
ides na minha lembrança,
ides na minha cabeça,
valeis a minha Esperança.

Lua adversa

Lua adversa

Cecília Meireles

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua…
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua…)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua…
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu

A terceira inteligência

A terceira inteligência
Carlos Mettal

A sua possibilidade
está na ousadia,
na tentativa e na probabilidade da inovação;
romper barreiras da existência dos mundos,
“Não tenha medo de crescer lentamente.
Tenha medo apenas de ficar parado”.
Uma resolução está na intuição;
se penso e nada aprofundo,
silencio-me e revela-me como consciência
o coração, a mente e a alma
essências da própria vida,
da razão à lógica,
da emoção ao prazer
a motivação permanente.
Há paz o suficiente consigo
distante de todas as práticas?
Acenderemos uma luz sobre as angústias,
acima da solidão corroeremos a raiva
se cremos sem ansiedade,
a visão dos olhos enxergará o pensamento
sem impaciência a certeza do acontecimento
mantém tranquila a água sobre o prato em movimento.

17 anos de solidão

17 anos de solidão
Carlos Mettal

quão infinito
é o amor
compartido
com uma mulher
gavetas dele
armários dela
certificado mundano
aprova a solitude do exílio
desse escrevente do enigma das palavras
pois ainda não é o pensamento transcrito pronunciado
a primeira virgem se tornou prostituta
assustada com as lágrimas de sangue
se trancou entre lençóis brancos de nuvens ou tempestades
a dama do pregador era o próprio pecado e a pura absolvição
depois das seis e antes da meia noite ela era somente oração
hora de ir
hora de vir
hora de penetrar
hora de submergir
quão profunda é a paixão no fundo do abismo
enquanto a pena flutua esculpindo as pedras dentro da solidão
a noite encontra os traços da memória sem rastros de sedução
a donzela ainda continua nas esquinas
a bailarina não queria filhos
foi ao parque com as suas crianças
ainda que o varal estenda a poesia
esse não é o pensamento provido
nas escrituras de si no poema do dia
não guarda palavras
não aprisiona frases
não há letras vazias
o sêmen dá vida
o poeta ressuscita os mortos
essas almas feito névoa
voando tal pássaro sobre o jazigo
aonde estão as penas?
as correntes são as imaginações
enquanto os rios estão correntes
aonde param os sonhos não nascem flores
nem mais amores

O genial Orlando Pedroso…