PROJETO ESPAÇO ABERTO

atividades "cultura, educação, esporte, entreternimento

A cor rente a mim

A cor rente a mim
Carlos Mettal

ao sol
acorrente-me
aos teus pelos
essa plumagem dourada
na mente uma certeza
te amar à distância
é uma estranha magia que faz
tudo permanecer infinito
esse desejo do teu beijo vermelho
uma chave que me abre a língua
mil palavras escondidas de destino
escritas da linha de algodão do teu vestido
essa pele que te guarda o umbigo
cria asas à imaginação
apaga a luz
há lua cheia na janela
e eu sob feitiço da tua cor em preto e branco
uivo tal lobo encostado na parede
renda-me
prenda-me
apreenda-me
nessa teia sobre os teus seios
aprende ao tato tátil das mãos
libertar-se dessa prisão

A Parte e o Todo de Mim...

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melhor que a matéria estendida  
-muito melhor-

os espasmos dos músculos e membros
aos poucos, ascendem

II

ainda mais, entre os dedos
um oceano diáfano

envolve e transborda
como oferenda ao sangue

III

como pétalas sob o efeito
de um sopro suave e constante

correm mundos e ângulos
das coisas que atravessam

IV

10367596_662319943816897_1817420576005344350_n8cores viscerais espalham-se
de ponta à ponta

manadas de tudo
mudam de lugar
levitam corpos

V

 estrelas ocultas
sem tortura sem sofrimento

ornam um céu
tremendamente negro

antecipam
avessos.

na vitrola…

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Nauta

Alfa

Alfa
Carlos Mettal

Assim como
Aqueles antes do primeiro
Aquietam-se os latidos do significado
Antes da escrita do significante
Apresentando tão somente os signos
Alcunham-me o entendimento e a compreensão
A transmutação do conhecimento epigrafado
Alquimista de Titânio da Ordem dos Arquitetos
Alquimista de Titânio da Ordem dos Caminhos
Alquimista de Titânio da Ordem das Letras
A terra e o ar
A água e o fogo
A assinatura e o sangue
A Forma, o Quadrado e o Círculo
Ao Triângulo decifra-me ou inscrevo-te
A elipse é a chave que desejo do beijo

beta
seria, mas tão comum à fórmula só complica
essa equação de razão e emoção
no entanto, ainda quanto leitor de suas escrituras
torno-me poeta domador de letras no passeio pelo jardim da tarde
e, penso que descrever o pensamento é a magia que se faz poesia
momentos circunstanciais de movimentos e similitudes
que interagem no instante da caligrafia
a imagem invisível que existe e não há vestígios
ainda que escritas sejam mil palavras
o que pensamos continua imperceptível
somente o som do rio
somente o rio
só rio
sorrio!

As nove camadas

As nove camadas
Carlos Mettal

ter calma
não é deixar para o amanhã
vamos observar
não é esperar a repetição da ação
nada é coisa da idade
logo passa
tudo fica normal
fosses sob orientação
educado na assertiva condição
criação culta da era
pois todo período tem a sua própria didática
seja emancipada a ser recorrente
seja frequente à fundamentação
alegoria ao escárnio da fantasia
um copo de leite no bom dia
saraivada de balas na hora do recreio
e sempre haverá um best-seller na próxima década
como absolvição da memória
sou um alguém apenas
que escreve o agora
cinco mil palavras libertas
mil pedras aprisionadas no pensamento
nada direto
contudo tudo
gira e volta
a seta acerta
o alvo da mente
na vida
na alma
na estática
no nome
no espírito
no coração
na força
no corpo
na sombra

O fim de mim

O fim de mim
Carlos Mettal

flores me devoram
que fome insaciável têm as borboletas
esse aroma de seda na minha pele quando me beija
se em pensamento
se na distância
tanto faz quanto tanto fez
a vez do desejo é inebriante embriaguez
flores me devoram
na porta de entrada não há saladas
prato principal em cima do ventre
o vento que em cima da mesa se deita
sobremesa antes do jantar não enfarta
flores no jarro
seiva no jardim
sua cor preta me diz que sim
simpatias de joelhos
lambendo seus pés
meus delírios
de penitência
flores me devoram
suas bocas me mordem
sobram os olhos que olham o céu
ainda que haja nuvens cobrindo o sol
seus sentidos me esvoaçam os cílios
cego no escuro penetro a caverna
tua luz me seduz ao caminho seguro
se grito é de dor
dor de não te ver
se calo é de amor
amor de te rever
flores me devoram
ao solo
ao telhado
enquanto as roupas secam no varal da poesia

Escrituras depois do meio dia antes que seja meia noite de desespero

Escrituras depois do meio dia antes que seja meia noite de desespero
Carlos MettalRanhuras nas pedras
fazem perceber à percepção
as estruturas de figuras
Cores vermelhas nas unhas
fazem perceber à tentação
as entranhas das línguas
Quando você dança eu no canto
palavras são beijos quando silenciam
nossos corpos em desejos
Cicatrizes na parede fazem as letras
quando conto os dias em que não te vejo
Liberta-me das correntes do medo
ou condena-me entre as tuas pernas
durante o pecado e os segredos
Não subirei os degraus do templo
contemplarei apenas a fonte que vejo
teus olhos de prece na cruz do meu peito

A percepção

A percepção
Carlos Mettal

na vida real
a sua participação é imprescindível
na leitura a participação do leitor
é essencialmente benéfica
uma personagem detém mil visões da realidade
acaso não seja questionada em si uma confiabilidade
não se encontrará a voz abrangente
nem a sua única fala do pensamento na ficção literária
há uma imagem fotográfica
identifica-se o gênero em primeiro plano
contudo, será que o olhar da personagem atrás do véu
carrega o questionamento ou a solução
seria a sombra do chapéu uma desconfiança ou indecisão
o que se esconde da luz é o interesse
mas o que se reflete no espelho é a ira
ao não há um sim de sedução
ao riso nada se sabe do hostil
vestiram roupas de fantasia
ou ajoelharam-se aos sentimentos de culpados
quem sabe o dominante esteja aterrorizado
se usa a corrente ou se deixa ser dominado
hoje é sexta feira
a bolsa sofreu uma queda de vertigem
ou as ações dançaram sem roupas íntimas
não há solidão ao estar sozinho
todavia não seja solitário no vazio
o que existe independe da reflexão
para ser e estar
participe!

A Parte e o Todo de Mim...

mais tremores
do que as entranhas admitem

mais vertigens
do que os precipícios suportam

mais gráficos
do que a frequência acumula

noutro caso
fatalmente adoeceria

não fosse o suor
do crepúsculo na varanda.

na vitrola…

Foto: Neris Luiz Meira

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FAU 2050 anos futuro

FAU 2050 anos futuro
Carlos Mettal

abri a janela dos olhos
ainda no escuro amanhecer do dia
o pequeno retângulo digital
acordado para despertar às cinco horas da manhã
pois sempre é amanhã
esse futuro adormecido vivemos
e nesse metro quadrado da evolução
guardamos mais informações do que a grande caixa de treze anos atrás
até podemos ir à lua carregados de Apollo onze
nessa velocidade a profecia dita
dobrada tecnologia a cada dezoito meses
a cada vez que há um limite no posto da guarda
surge novos caminhos rompendo essas barreiras
os paradigmas das sociedades humanas
transmutarão em uma transformação
onde a mente limitada
incapaz de previsões
aceitará a SINGULARIDADE, momento de avanço às mudanças numa estonteante rapidez de parâmetros
ao aprendermos a cognição do ler e escrever
provocamos danos a nós mesmos
pois essa gerência é atribuída sempre a terceiros
influenciando o que seria imaculado a cada ser
a sua própria identidade natural
não é estranho encontrarmos essa atenção
sem foco determinante por longos períodos
pois sofrem a interferência do instrutor selvagem
o qual doutrinou o modo pensante dos seres
readaptar o cérebro pareceria factível
senão houvesse a observação do mundo atual
onde milhares de informações passam frente
aos olhos sem percepção da mente humana
vendo a neta de quase três anos
manuseando um computador com tamanha maestria
sem o auxílio vicioso de um adulto
fundamenta-se a prospecção da inteligência artificial
como instrutores indiretos da capacidade sensorial do aprendizado
por suas próprias capacidades motoras e psíquicas
esqueçamos o modo privacidade
esse é um atributo “démodé”
nós desejamos ser vistos
por mais que não gostamos de ser monitorados
cegos são nossas anomalias
jamais o que pensamos
vive somente na escuridão
é consciente saber
tudo o que criamos faz o bem e o mal
assim foi com o martelo de pedra
após criar ferramentas
também foi o primeiro a ferir o próximo.