PROJETO ESPAÇO ABERTO

atividades "cultura, educação, esporte, entreternimento

A Parte e o Todo de Mim...

mais tremores
do que as entranhas admitem

mais vertigens
do que os precipícios suportam

mais gráficos
do que a frequência acumula

noutro caso
fatalmente adoeceria

não fosse o suor
do crepúsculo na varanda.

na vitrola…

Foto: Neris Luiz Meira

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FAU 2050 anos futuro

FAU 2050 anos futuro
Carlos Mettal

abri a janela dos olhos
ainda no escuro amanhecer do dia
o pequeno retângulo digital
acordado para despertar às cinco horas da manhã
pois sempre é amanhã
esse futuro adormecido vivemos
e nesse metro quadrado da evolução
guardamos mais informações do que a grande caixa de treze anos atrás
até podemos ir à lua carregados de Apollo onze
nessa velocidade a profecia dita
dobrada tecnologia a cada dezoito meses
a cada vez que há um limite no posto da guarda
surge novos caminhos rompendo essas barreiras
os paradigmas das sociedades humanas
transmutarão em uma transformação
onde a mente limitada
incapaz de previsões
aceitará a SINGULARIDADE, momento de avanço às mudanças numa estonteante rapidez de parâmetros
ao aprendermos a cognição do ler e escrever
provocamos danos a nós mesmos
pois essa gerência é atribuída sempre a terceiros
influenciando o que seria imaculado a cada ser
a sua própria identidade natural
não é estranho encontrarmos essa atenção
sem foco determinante por longos períodos
pois sofrem a interferência do instrutor selvagem
o qual doutrinou o modo pensante dos seres
readaptar o cérebro pareceria factível
senão houvesse a observação do mundo atual
onde milhares de informações passam frente
aos olhos sem percepção da mente humana
vendo a neta de quase três anos
manuseando um computador com tamanha maestria
sem o auxílio vicioso de um adulto
fundamenta-se a prospecção da inteligência artificial
como instrutores indiretos da capacidade sensorial do aprendizado
por suas próprias capacidades motoras e psíquicas
esqueçamos o modo privacidade
esse é um atributo “démodé”
nós desejamos ser vistos
por mais que não gostamos de ser monitorados
cegos são nossas anomalias
jamais o que pensamos
vive somente na escuridão
é consciente saber
tudo o que criamos faz o bem e o mal
assim foi com o martelo de pedra
após criar ferramentas
também foi o primeiro a ferir o próximo.

Navega-me ou afoga-me

Navega-me ou afoga-me
Carlos Mettal

transborda tuas águas
enche esse vale árido de saudades
com tuas insinuações de contentamento
enfeitiça-me com teus cabelos de ouro bronze
feito medusa no meio da praça dessa ilha deserta
atormenta-me com tuas delícias de refrescamento no leito
quando o calor me invade feito vulcão violentado pelas brasas
esse fogo que me incendeia quando rangem correntes que gemem
afoga-me com teus delírios de fome quando sonhos são devaneios
esse espaço que sonho ao acordar dormente em teus seios…

Malgorzata Chodakowska.png
Imagem

 MALGORZATA CHODAKOWSKA
Polish sculptor makes water complete her bronze fountain sculptures

Passaporte

Passaporte
Carlos Mettal

CEP
ou código de endereçamento postal

ou China
ou Espanha
ou Polônia

linhas retas que conectam esse ponto
pontos traçados que convergem à essa arquitetura
uma engenharia de pensamentos edificados ao prumo
nada foi feito a mais nos dias para chegar aonde chegamos
tudo havia predito acima da compreensão aonde chegaríamos
essa constante sem cálculos matemáticos, nem visões de estrelas
um dia após outro dia despertando a novidade da tristeza em alegria
esse silêncio comedido sem a gritaria das palavras em pensamentos
além da alforria dos grilhões de aço acorrentando sonhos e medidas

na China para rever a promessa da alquimia que forma essa preleção
na Espanha para rever damas velhas em árvores do carvalho erguido
na Polônia para rever as cátedras d’arquitetura ancestral que me guia

tal viajante em deslocamento aos caminhos do guia arauto de prata
desvendados lúdicos tracejamento no grafismo que cruza a estrada
vestido de gravata que terno me torna sufocada garganta fragilizada
quatorze vezes sem PI
onze vezes sem R²
cinco vezes a sétima potência da profecia que rege a maestria de ver
enumeram-se as chaves das portas ocultas nessa transmutação
Boa viagem ao infinito da eternidade que me cerca a menteMettal Passaporte

O Alquimista despertado nas canções de titânio

O Alquimista despertado nas canções de titânio
Carlos Mettal

Meu amor
o arauto do tempo passado
retorna em busca do seu senhor
seis mil anos contados dentro da ampulheta cônica
esvazia a areia
que rege os olhos que te sonham
como as estrelas de Orion
o guardião que apressa os despertados
Meu amor
raízes do meu ser estão no seu coração
esse norte de precessão que inclina
o mundo como asas sob a tempestade
flutuando no mar de lágrimas
das memórias que aliviam o sono do orvalho
nesse deserto de solidão escaldante
sem janelas para te ver ao passar
no oásis das portas da ilusão
Meu amor
sempre ando apressado
ao fim do dia para me encontrar
na determinação sempre crescente
da lua minguante afogada no licor do beijo
esses duplos problemas de partir
sempre quando te vejo
entregue na liberdade do céu
me convidando para não ir
Meu amor
não há uma noite a mais
antes desse amanhecer
aonde as certezas são incertas
crenças que acredito e me veste em versos
atravessando buracos negros
e novamente te encontrando
sem você ainda ter nascido
para dos meus braços não fugir
Meu amor
é desse sacrifício que te falei
desde a primeira vez
que o vértice do seu corpo
estava nas arestas do meu prisma
esse pêndulo feito sino dobrando
por todos os nomes que agora gritas
em sussurros ensurdecedores no leito
imaginando-se aninhada sobre o meu peito
Meu amor
fria, fria é essa viagem
quando te deixo sem saber
do acorde que cantas sozinha
ao lado das brasas da lareira
me percorrendo no ar como fagulhas
que caem sobre o teu ventre nu
acordos das cordas que te amarram
à voz na garganta que me encanta
Meu amor
Meu amor
Meu amor
Meu amor
Meu amor
Meu amor
Meu amor
Meu amor
Meu amor
oito vezes é essa volta que me gira
aos noves fora de ser o teu número zero.

O tempo da criação

O tempo da criação
Carlos Mettal

quantos dias
eu levaria para criar
uma mulher?
de certo que sendo ela
a luz dos meus olhos na escuridão
eu levaria somente alguns segundos
para abrir os céus rasgando o véu das nuvens
para aquecer a minha paixão em luzes de devoção
sua pele ao tom dos raios do sol
sonolenta imagem de sedução
seu corpo como copo de água na fonte
embebendo a minha sede em tentação
seus negros cabelos refletidos nos olhos de mel
minha fome das tardes que engolem a noite sem ação
oh! delícia de delírio habitam as palavras na sua imagem
silencio essa transmutação com a garganta gritando emoção…
melhor voltar aos estudos esperando sonhos de ilusão…

Mamãe trabalhou no cinema

Mamãe trabalhou no cinema
Carlos Mettal

eu sou fruto
de uma cena cinematográfica
gerada na mente do pensamento
tomada a tomada
do prelúdio ao epílogo
roteiro de um futuro que viria
das entranhas do estranho acometimento
drama épico da imaginação
essa fantasia de realidades postas ao tempo
romance de lágrimas no beijo da escuridão
quarenta e oito horas
à aventura do meu renascimento
um seriado de longa metragem
enquanto mamãe vendia ingressos no cinema
vou sobrevivendo ao perigo
cenas de ação
amando os sonhos da ilusão
eu sou fruto ácido derretendo
as línguas entre as pernas
um roteiro do realismo imaginário
um figurino do realismo fantástico
nascido na relva selvagem
sob os olhares de animais
uma personagem de mil transformações
sem máscaras além da própria face
sem maquiagem de efeitos lúdicos
às vezes sob o holofote do sol
recebo aplausos
outras vezes sob o spot da lua
sou devorado sem comiseração
à carne nua
mas sempre há a aurora da névoa
no amanhecer da quinta hora
quando nasci
essa semente plantada
essa semente germinada
assim por duas vezes no mesmo dia
assim por duas vezes em meses distintos
assim por duas vezes em anos subsequentes
fui certificado e fundamentado a viver eternamente
enquanto a sessão de cinema não chega ao fim

O jardim

O jardim
Carlos Mettal

seus cabelos
são elos que me acorrentam
seus olhos
são chaves que me libertam
seus lábios
são abraços que me beijam
sonhos e desejos
se confundem na cidade
dos seus passos
se sinal aberto
estaciono sobre as faixas
o risco de uma paixão
se sinal fechado
atravesso todas as estradas
o desconhecido tom da emoção
realidades e insanidades
me aconselham o mergulho
se abismo ou mar profundo
me agarro ao som da sua voz
flores de não
pétalas de sim
o seu corpo é todo jardim

A superficialidade de Pedro na madrugada

A superficialidade de Pedro na madrugada
Carlos Mettalora,
mas por qual causa
o galo haveria de cantar
ao pensamento de negação de Pedro
o fiel escudeiro cortador de orelhas e traição
e mesmo assim este ainda é o pilar da santa casa
quereria ser ele mais que o próprio mestre imposto pela fraqueza
de todos os seguidores dessa fé que caminha sozinha na multidão
moedas de ouro
beijo na face
mas por qual causa haveria de ter um delator
sendo o mestre desprovido de ocultamentos da mente
pois o que foi verdade mentira tornou-se
o que foi ganância arrependimento enforcou-se
corvos e abutres
cordas e homens
santos dormem
serpentes rastejam
o que foi escrito modificado pode ser
abro a boca
estendo a língua
então
dentes me mordem
mas cães latindo não comem
e todas as manhãs pássaros se alimentam sob meus olhos
mas aonde está a cruz invertida da crucificação de Pedro
mas aonde está o perdão esquecido da pedra fundamental de Pedro
há anjos na minha janela e não há asas atadas às suas costas
tão somente há penas caindo do céu e o sol não tem fome de planetas
a exposição de Mercúrio é a ilusão da luz na mãe da escuridão
quando a terra dança faz frio no norte
alguns irão para Marte
mas Vênus continuará virgem
depois das horas humanas o calor é mais forte
mesmo sendo ainda a mesma distância
todos esses tolos errantes girando sob os olhares
são névoas de gases coloridos ao redor do gigante solitário
chamado de Júpiter fumegante cortejando com anéis de falsos diamantes e véus de Urano desolado no altar esquecido de Saturno
mas ainda faltam centenas de outros convidados
talvez haja um análogo aro de metal girando
que gritará
eu me oponho a essa crença
sirvam primeiro o jantar
depois rezem a missa
e vamos todos dançar
eu comerei de colher de pau
deixem a prata para espelho
na porta principal de entrada
mas aonde é a saída dessa valsa de estrelas
pois quem segue quem
a cauda ou o animal
os passos ou a vontade
o segredo ou o que está escolhido
para a face da máscara de mil rostos
há um totem de lugares vazios

Espaço tempo hotel blues

space time

Espaço tempo hotel blues
Carlos Mettal

meu pequeno amor
o ponto que vejo
são teus olhos brilhando na terra
enquanto espaço tempo
é a reserva do hotel blues
para a nossa lua de mel
penso em ti
estás em mim
como esse traje de ultra velocidade
distante matéria
presente energia
me aquecendo por observação
através desse diamante de estrelas
meu pequeno amor
escuro é esse caminho
portanto todas as noites olhe para o céu
me mostrando o caminho certo
do teu conforto como canção
sob a teia dos fios do teu cabelo
minha aterrissagem segura
deslizando teus montes
és meu planeta seguro
no vale das flores de tuas pernas
meu pequeno amor
beije-me agora!

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