PROJETO ESPAÇO ABERTO

atividades "cultura, educação, esporte, entreternimento

MM

MM
Carlos Mettal

Na passagem do ano 2000 a onda terrestre era o nascimento da democracia, contudo a educação dessa criança foi regida por si só. Uma órfã abandonada, apesar de ter tantos pais e mães letrados em mestrados e doutorados, além de ter uma parentesca mundial a usando como bem lhes convinha, resultando em um modelo burocrático repleto de endemas, frustrações e crises entre a lagarta, o casulo e a borboleta.
A supremacia do desenvolvimento tecnológico será o novo paradigma a ser adotado como resolução do sistema caótico de governabilidade, acaso a máquina possa tomar as decisões de acordo com o seu banco de dados, o que é fornecido pelo próprio humano, onde a sua interferência não ocorra sem a participação de toda a população, mas somente por uma cúpula egoísta que usa das fracas leis de duplas realidades consolidadas em cláusulas, artigos ou parágrafos únicos.
Utópico pensamento? Então, analise todos os governos dos países aonde não há correspondência das atribuições sem que o resultado seja sempre a oneração capital sem o bem-estar geral, a população. Essa que está cada vez mais idosa enquanto as novas gerações se preocupam apenas pelo consumo imediato e a decadência de se sentir o super homem arriscando a vida e o conhecimento no uso das drogas, na alta velocidade de suas máquinas, essas banalidades que se propagam ao ponto de assassinatos, revoluções, revoltas, rebeldia, terrorismo onde cada vez mais esses jovens são a maioria dos que morrem.
Na nova mudança a tecnologia vem sendo a aposta generalizada de reinvenção do Estado e já se nota essa vertente com as últimas eleições partidárias, nas brigas entre o serviço comum de transporte, o táxi, frente aos aplicativos inteligentes.
Desde Thomas Hobbes, onde defendia o Estado beneficiando a sua população, a liberdade, a saúde, a segurança, ou seja, o socialismo. Observa-se a grandeza do Estado. Contudo, essas perspectivas tomaram rumo aos becos da ganância individual de empresas atadas aos governantes, legisladores e defensores da lei ocultando-se pelas frestas das suas constituições defasadas. O vício do poder deve ter um tratamento de choque como se fosse um alucinado lobo, esse que se esconde dentro da pele do cordeiro, o primeiro e sempre sacrificado povo, a ovelha negra da sociedade.
Vejamos que na passagem do século XIX a produção deu um grande salto, ainda que sem análise dos próprios danos causados ao meio ambiente e na sequência, o próprio povo trabalhador, o qual não tinha opção de ter prosperidade em negócios sob a sua gerência. Hoje, temos alta performance tecnológica que poderá substituir o humano nessa produtividade, mas o que farão as populações que sempre foram destinadas a serem dependentes das fábricas? Dependentes de serviços sanitários, saúde, educação precárias e ultrapassadas, a qual não se atualizou às mudanças na sociedade. Ainda se busca a ensinar como fosse o período clássico, correlacionando ao modernismo uma diferenciação utópica.
A solução se encaminha à tecnologia sem dúvida alguma, porém há a necessidade da instrução popular, caso contrário não haverá controle, nem fiscalização dos atos coordenadores do sistema.
Poderemos sofrer intervenções cirúrgicas sem cicatrizes, mas precisamos que os médicos sejam aliados do paciente e não apenas da indústria farmacêutica. Alianças, é o que a população precisa para essa compreensão e principalmente a cooperação.
Essa realidade se pode ver em países como a Suécia, Singapura, China. E para isso a única palavra chave é gestão. Em suma deve haver um consenso entre a necessidade do povo e a oferta do governo. Não se pode mais esperar a chuva cair para só depois consertar as goteiras do telhado!
Não se nega o poder da DEMOCRACIA e a sua valiosa contribuição à sociedade, apenas precisa- se usá-la como humanos e não como fábrica industrial. O primeiro passo utópico é a redistribuição de valores dos mais ricos que jamais conseguirão gastar tudo o que tem, em favor dos pobres. É preciso haver igualdade humana para o crescimento ser uniforme, caso contrário será tão somente uma aventura contra a correnteza… permanecer no mesmo lugar ou naufragar.

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Muito mais que um “plus”

Muito mais que um “Plus”
卡洛斯mettal

Paixão, Filosofia e Religião

Olhos de mar
são teus olhares
a me navegar
sombras secretas
à luz do desejo
me curvar
um coração de águas puras
veias de cristal a alimentar
se atravesso a tua floresta negra
deixo linhas nesse horizonte
a me guiar
quando caio no precipício
escalo a muralha escura
até as nuvens de chuva
ao teu prazer me revigorar
vamos ouvir a floresta cantar
sei que a liberdade
é somente uma prisão
é a vontade é o induto de libertar
pois não há filosofia
que preencha a mente alheia
senão o próprio pensar
portanto sejamos apenas o fluxo
fluindo ao oceano azul de navegar
conhecer a realidade
é definir a luz e a sombra do lugar
sem o pensamento ainda
há o mito a se propagar
escolher ser é uma contrariedade
do que você é
se fomos corrompidos na juventude
a democracia é um engodo
veneno de transformar
a ilusão do acreditar
assim como a religião
o espelho está no pensamento
não há complexo no reflexo da água
apenas distorção ao que os olhos vão enxergar

Sinais versus barreiras

No princípio
nos orientavam
as ações da natureza
sabíamos que na borda do precipício
havia perigo
a tolerância ao limite
Fundamentado no desenvolvimento ilusionário
de seguir o outro como única diretriz
abandonamos a leitura dos sinais
para adotar as barreiras sinalizadas
Assim nos tornamos intolerantes
atravessando semáforos fechados
sem notar os gráficos de advertência
acreditando apenas na barreira
como contenção

Pedras elementais

Água molda a
Pedra
Vento corta a
Pedra
Fogo transmuta a
Pedra
Terra une a
Pedra

Cabine da confissão

Jamais acreditei
no perdão
desde que eu estive
dentro da igreja aos seis anos de idade

Um veneno ou antídoto
da confissão
entrei no confessionário
e atendi aos fiéis pecadores
assim descobri
que perdão e pecado são aqueles irmãos

Ora unidos se protegem
Ora separados se dilaceram
É como olhar uma imagem
e identificar semelhança de igualdade
Está somente dentro de si
como um código de referência imagética

Significativos

O poeta
está contido na equação
A emoção
é a livre interpretação
do corpo
O corpo transcende
a percepção
A percepção está
na verdade
A verdade é oculta
no deserto
O deserto contém
o desejo

Palavra

A imagem
foi escrita
na pedra
Assim se tornou permamente
a sua propagação

Fala

A imagem
foi narrada
na voz
Assim se tornou efêmera
a sua interpretação

Amantes

Posso te amar
sem te crucificar
o amor
que não é palpável
objeto de adoração
mas contemplação

Moderno

O mundo é um caminhante
sem políticos no comando
não existe democracia
se o mesmo que outorga
se o mesmo que obedece
Aceitas as palavras
mas antes julga a face
daquele que vos relata
se revela

Contemporâneo

O que dá prazer
para um
torna um outro
à tristeza profunda

Futuridade

Não há caminhos
se não sei para onde vou
a casa está de portas
é janelas abertas
a mesa está servida
então vou comer
e depois me tornar
a velhice
para assim sair de casa
para o mundo escuro

A borboleta na flor

Voar após rastejar
é o desejo da simplicidade
que o homem procura

A reparação do espírito

A chuva soava como música
interpretada por raios, trovões
e as nuvens
Nesse instante os pássaros
se formaram plateia no circo
aonde crianças não criam problemas
os adultos adormecem sobre o livro
choram pela insegurança do desconhecido
Ouçam os sinos
Eles soam a cada hora
selvagem mensagem
não sei se é para os que morrem
ou se é um chamamento
para a comunhão dos vivos
Essa dualidade convexa
não sobe aos céus
além das ondas do som
A noite não morre
O dia não nasce
todos estão na mesma origem
assim como o anel não tem início e nem fim
Eu vi na sombra da mão que escreve
a organização do caos vulgar
se transformar no eco dos sinos

Cinco frases para Victor Cousin

Sou um homem
que sinto prazer
sem a necessidade
de possuir a sua
visão da causa

Túnel do tempo

O teu mar azul
safira de olhar
faz chover em meus lábios
água de cheiro de te amar
entre ruídos de dentes
tuas mãos me atam
pela cintura de dançar
nessa batalha aonde somos
sobreviventes
ainda que desfalecido
nos elegemos a flutuar

Neuro amor

Uivando para a Lua
o Lobo no meu coração
sente saudade de te amar
Lua que quero mais
neurociência da paixão
Se Fausto fui
fostes tu Musa
na minha solidão
despida em imagens
a palavra do profundo
espasmo da garganta
quando fomos amantes

Autonomia

Qual a razão
da pessoa comum
seguir a ideia
do artista

Aonde reside a segurança
é o mesmo lugar
aonde há o perigo
drama ou comédia

Qual veneno
vais assimilar
como natural
na realidade do combate

A plateia não estava presente
contudo no ato do teatro
seus pensamentos se transportam nos fatos
segundo as suas intenções

 

17 anos de solidão

17 anos de solidão
Carlos Mettal

quão infinito
é o amor
compartido
com uma mulher
gavetas dele
armários dela
certificado mundano
aprova a solitude do exílio
desse escrevente do enigma das palavras
pois ainda não é o pensamento transcrito pronunciado
a primeira virgem se tornou prostituta
assustada com as lágrimas de sangue
se trancou entre lençóis brancos de nuvens ou tempestades
a dama do pregador era o próprio pecado e a pura absolvição
depois das seis e antes da meia noite ela era somente oração
hora de ir
hora de vir
hora de penetrar
hora de submergir
quão profunda é a paixão no fundo do abismo
enquanto a pena flutua esculpindo as pedras dentro da solidão
a noite encontra os traços da memória sem rastros de sedução
a donzela ainda continua nas esquinas
a bailarina não queria filhos
foi ao parque com as suas crianças
ainda que o varal estenda a poesia
esse não é o pensamento provido
nas escrituras de si no poema do dia
não guarda palavras
não aprisiona frases
não há letras vazias
o sêmen dá vida
o poeta ressuscita os mortos
essas almas feito névoa
voando tal pássaro sobre o jazigo
aonde estão as penas?
as correntes são as imaginações
enquanto os rios estão correntes
aonde param os sonhos não nascem flores
nem mais amores

Amarelo

Amarelo
Carlos Mettal

Amar é elo
amarelo
que minero
na mina
do coração
dela!

Ária do Alquimista de Titânio

Ária do Alquimista de Titânio
Carlos Mettal

Ó peito encouraçado, mas pequeno
apertado abre espaço ao dia eterno
nesta alma virgem de toda calma
encorpa os lábios de beijos a alma
aroma infinito de terra e água
quebrando granizos contra a rocha
transforma essa fúria de pedra

Ó sangria da tortura de violetas
nas matas tangíveis da perdição
ora, seiva odores de deleite insano
ora, lembra o amor de imagem soberana
se fosse apenas montanhas ao alto
o cume mais distante não me deteria
pois existem ainda as nuvens voláteis

Ó beijo bendito se palavra fosse minha
escravo seria os meus passos em tua direção
afastando a multidão que sonha a ilusão
entre os tentáculos da realidade
tombam as flores ao peso da neve
desse turbilhão que avança em avalanche
bravia é essa sedução que nos consome

Ó solidão preenchida de distâncias
dominantes vogais escondidas no capitel
capitula esses versos claros de escuridão
nas íris redondas do diamante pontilhado
até o romper da manhã ao som dos sinos
onde a capela guardam as borboletas
orvalhando os campos ao leito da paixão

E na fibra que forma o arco-íris
mais forte é a vontade que a chora
esse lamento de beleza vibrante canção
Ó cruz que carrego escada acima
Ó redenção que me redime o pecado
Ó impassível amor que potencializa a dor
vela esse homem sem queixas nas rimas

Ó sonho de sonhador semeador
deito-me como o ontem olhando estrelas
esses fogos de artifício são divinos
que me tornam crente sob o cativo beijo
eis aqui a razão desse cântico sem métrica
pois se te amo, é bastante o motivo!
pois se te amo, é bastante o motivo…

Nota para a ausência

Nota para a ausência

Bom dia sempre fuso horário.
Ausento-me do espaço da amizade
até o ano de 2018 para cumprir em concentração as escrituras da monografia ao curso de Arquitetura e Urbanismo.
Agradecido por todas as vossas influências, as quais complementam
o meu crescimento.
Mantenham-se em segurança e paciência frutificando ações de bondade e benevolência, pois essa é a verdadeira fortuna.
Pratique os cinco movimentos e observem os seus resultados. Lembrem-se: não é a força que nos conduz à realização de grandes feitos, mas o pensamento.

Abraços e beijos para todos
Carlos Mettal

Ctrl verso (ou Canto erótico)

Ctrl verso (ou Canto erótico))
Carlos Mettal

Seus lábios que me beijam!
Se meus lábios te beijam
deixemos-nos como o sabor do vinho
dançando no paraíso da boca
uma música de fragrâncias
que exala perfumes da tua pele
refinado aroma como o som do teu nome
nos sonhos de uma adolescente
aperta a minha mão e segue-me
aos aposentos longe dos olhos virgens que te desejam
razão pela qual tu nos embriagas com tamanha beleza e sutileza
Se tua cor escurecer
é por causa do sol que te queima
quando fosses guardiã das vinhas
mas a tua própria uva não guardastes
por isso não te renego
pois és bela e formosa flor no cálice do meu entorpecer
ao entardecer mostra-me os campos aonde pastoreias o teu rebanho
assim te seguirei longe dos olhares alheios
vais tão radiante entre todas elas
segue essas pegadas ao som do sino
ao cair estrelas no céu
te alimentarei com o orvalho da minha sede
repousas como carruagem no pátio
com as tuas ancas tão grandiosa
sobre a macia relva
despe as tuas joias que ornam as curvas da tua face
tu és mais bela aos meus olhares
com os últimos raios desse sol amarelo
encanta-me com a tua voz
enquanto escuto os teus seios
nesse divã de poente
exala suspiros como o cedro
sustentando a estrutura dessa morada
suave é o teu lírio no vale
entre espinhos me atrevo a te procurar
distante de todas as donzelas
Vem amado meu
como a maçã no bosque
adocicando o meu paladar
segura-me forte
pois desfaleço ao teu sabor dentro de mim
segura-me pelos cabelos
e abraça-me como o encontro das nuvens
o inverno já cessou
e essa chuva que sinto me refresca
como a terra antes do plantio sob o teu arado
esperemos o dia acontecer
com as suas sombras aladas
somos como uma alma unificada
por esse amor ser amado
dignos de sermos bebido
aos dentes

Recado aos amigos distantes

Recado aos amigos distantes

Cecília Meireles

Meus companheiros amados,
não vos espero nem chamo:
porque vou para outros lados.
Mas é certo que vos amo.

Nem sempre os que estão mais perto
fazem melhor companhia.
Mesmo com sol encoberto,
todos sabem quando é dia.

Pelo vosso campo imenso,
vou cortando meus atalhos.
Por vosso amor é que penso
e me dou tantos trabalhos.

Não condeneis, por enquanto,
minha rebelde maneira.
Para libertar-me tanto,
fico vossa prisioneira.

Por mais que longe pareça,
ides na minha lembrança,
ides na minha cabeça,
valeis a minha Esperança.

Lua adversa

Lua adversa

Cecília Meireles

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua…
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua…)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua…
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu

A terceira inteligência

A terceira inteligência
Carlos Mettal

A sua possibilidade
está na ousadia,
na tentativa e na probabilidade da inovação;
romper barreiras da existência dos mundos,
“Não tenha medo de crescer lentamente.
Tenha medo apenas de ficar parado”.
Uma resolução está na intuição;
se penso e nada aprofundo,
silencio-me e revela-me como consciência
o coração, a mente e a alma
essências da própria vida,
da razão à lógica,
da emoção ao prazer
a motivação permanente.
Há paz o suficiente consigo
distante de todas as práticas?
Acenderemos uma luz sobre as angústias,
acima da solidão corroeremos a raiva
se cremos sem ansiedade,
a visão dos olhos enxergará o pensamento
sem impaciência a certeza do acontecimento
mantém tranquila a água sobre o prato em movimento.