PROJETO ESPAÇO ABERTO

atividades "cultura, educação, esporte, entreternimento

A caixa de vidro da paz

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A caixa de vidro da paz
Carlos Mettal

há um deserto
em cada nação
grãos de areia da partícula tridimensional
dancem o alinhamento da dimensão oculta
abram as janelas desse grande museu
esse é o desentrelaçamento dos fios de metal
abra-se caixa sem portas do mundo atual
nada novo na fronteira do passado monumental
os inimigos prometidos sob os seus sapatos
são os teus próprios desentendimento da lei
seja ela cruel e sanguinária do antigo
seja ela benevolente e apaziguadora do novo
use o espelho da areia para refletir a imagem
deixem os olhos para as lágrimas e os diamantes
esse rio de sangue nunca é o mesmo à tua vingança
quando a primeira palavra foi dita pelo ancião
no mundo distante haviam pássaros de asas brancas
quando a areia fez-se na solidão
o sol era o dia e a lua era a noite
agonia sem sombras
agonia na sombria escuridão
agonia congelante
agonia escaldante
qual a culpa tem esse deserto
qual a culpa tem essa floresta
para a caminhada a boca se pronuncia
para a honra os lábios se articulam
contudo o coração foge da doutrina dos homens
o cego anda sozinho pela cidade
todavia quem tem olhos não o guia
o jardineiro planta a rosa na manhã
à noite o amante a arranca à revelia
não lavastes as mãos para comer?
tudo bem, o ventre purifica!
não lavastes as palavras para falar?
tudo mal, o coração se contamina!
então, vos transfiro esse código:
dentro da caixa de vidro da paz
colocarás areia, pedras grandes e pequenas
acaso entendas a compreensão da transcendência
qual será a ordem para preencher a caixa?
sabendo isso encontrará a quarta matéria
para preencher a caixa justamente…

*dica: a sua vontade não deve ser o primeiro plano!!!

O porão

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O porão
Carlos Mettal

a última vez
que vi o meu amor
foram os seus passos
em direção ao porão
lá estavam a garrafa
e a taça de cristal
suas mãos e seus lábios
aquecendo o balé da língua
na degustação
não havia mais uvas
somente os seus olhos
e o vinho da paixão
o que está escondido
é proibido
o que é proibido
está escondido

revela-me a tua conversa
na ponta dos dedos
essa cantoria de musas
aos deuses
essa sintonia de amantes
aos beijos
esse encontro de heróis bravios

revela-me o teu sussurro
na ponta da orelha
essa umidade de delírio
aos desejos
essa ventania de agonia
entre paredes
esse poço de nudez

revela-me tua face rubra
sob o véu róseo da tua flor
destila tua seiva
dentro do meu tonel
esse carvalho de mil anos
restrito aos teus deleites

revela-me a luz dessa escuridão
enquanto embriago-me nas sombras
seguro estou nos teus abraços de tensão
revela-me feito negativo contra a luz
sob essa vermelhidão do contato
nossa imagem de sedução

“A ponte do homem corajoso”

“A ponte do homem corajoso”
Carlos Mettal


o construtor de pontes
pensou:
do outro lado
uma linha reta
conectada ao seu esquadro
encontra a bissetriz da união
sem precisar nadar nesse rio caudaloso
as aspirações de ser amigo amado nas amarras
é fator de segurança permanente da amizade real
transparentes passagens entre o que falo e o que escrevo
são madeiras de lei do firmamento entre os laços de fraternidade
são como geleiras os conselhos de mim mesmo ao meu intelecto
tenho de acender fogueiras para chegar ao ápice do entendimento
plantastes uma árvore do fruto da mágoa, então venha compartilhar
terminaremos essa dor o mais breve possível para rir na paisagem

ama-me como amastes um dia o amor em que acreditas ser social
não sabes amar um homem, pois sendo homem ainda tens vergonha
o amor é uma ponte, todos transitam por ela até o seu destino final

ama-lhes como amastes um dia o amor em que foi recíproco a ti
não sabes amar uma mulher, pois sendo homem ainda tens vergonha
o amor é passagem, todos transitam por ele até o seu par final

O construtor de pontes
outra vez parou e pensou:
é findada a construção de mais uma passarela
passos e pés passarão por ela sem destinos e perdidos
arraigados à raiz de si mesmo, não percebendo o quão alto estão
tentarão voar antes de dez passos, será que fiz certo construir a ponte
será que eles, esses ventos sem sopro voarão mais alto que o pássaro
enfim, fiz toda essa estruturação de palavras, não cairão as mentes vãs
há ainda o rio caudaloso a espera dos aflitos
sem respostas e nem perguntas
passarão

A minha igreja é a palavra A elipse (o diagrama da arte marcial do alquimista de titânio)

A minha igreja é a palavra
A elipse (o diagrama da arte marcial do alquimista de titânio)
Carlos Mettal

o alquimista de titanium assis.jpg

Não é sobre religião
é sobre sustentabilidade
Trium Sociorum
fui anjo de pernas tortas
(geno varo)
andei de charrete sobre as ruas de paralelepípedos
essas pedras que são eternas enquanto vivo
então, o progresso da máquina
essa estrutura de ferro e aço
chegou para ser a modernidade
alto preço pago fiado à natureza do meio
esses cobertores negros sobre a pele do ambiente
suave aos automóveis de lata e plástico
senhores de terno e gravata
fino linho do trato do algodão
hoje moderno é contemporâneo
veículos são armadilhas do engano humano
ruas de petróleo
esses ossos de milhões de animais
minas silenciosas engasgando o solo
concreto de resistência duvidosa
coeficiente de segurança
aditivo remunerado antecipado antes da obra edificada
são rachaduras na economia do país
a porta do templo está aberta
a mente da fé é uma prisioneira
à sombra do engodo no sermão do diário
meu lar está entre seis igrejas
ouço os seus gritos de oração
parece mais uma reunião de confusão
do que uma confissão de absolvição
amém aos santos
que Deus esteja convosco
Alá seja bendito e louvado
Buda seja misericordioso
Krishna seja alimentado
e todos os demônios sejam acordados
é hora de todos os imaculados
serem sepultados
e, aonde está a sustentabilidade?!
eu uso a mesma roupa
a trinta e seis anos

O futuro é voltar do passado

 22.01.16 - 1
O futuro é voltar do passado
Carlos Mettal

você deve amar
em silêncio
até a prontidão
de ser amada
há tantos sacrifícios
no recorte da estrada
não queira viver no perigo do corte
como um filme de aventuras
mas, se ainda mesmo assim
a loucura tomar conta da ousadia
feche os olhos e se permita
caminhar nesse labirinto
há recompensas no merecimento
contudo saiba da descendência
o fato é destino da ancestralidade
ama-me na totalidade das manhãs
nessa sinfonia de papéis
sou as linhas do pentagrama
nessa canção dos teus lábios
nota as notas dos acordes
tom maior sobre tom menor
sopra no meu ouvido o sustenido
esses arrepios de firmamento
em volta do umbigo
ama-me na totalidade das noites
nessa tonalidade da tua face
sou o teu desmaio de cansaço
nesse canto dos teus olhos
compassa meu olhar profundo
tom menor sobre tom maior
venta na tua alma meu despertar
esse delírio de contentamento
nas cores do arco íris sonhado
ama-me!
amo-te!

A porcelana

 vaso
A porcelana
Carlos Mettal

você está pronta
para ser amada
pela totalidade
da alquimia de titânio

uma gota de rosas
é o alimento do seu dragão
esse avivamento de sangue
da profunda paixão

venha
retire esses espinhos dos meus olhos
abertos com chaves da memória
essa máscara de serpente é revelada

meu arauto observador
vem com a chuva
que amacia a argila
entre os meus dedos abrasador

moldando a tua cintura
como oleiro na feitura do barro
esse jarro de porcelana
leva a pintura da dedicação

cuidado com a sua fragilidade!

Seja Cristo, há tantos Tomé na Alquimia do Templo

templo cross.jpg

Seja Cristo, há tantos Tomé na Alquimia do Templo
Carlos Mettal

sejam bem vindos
ao templo de metal
depois da porta não há paredes
depois do chão não há tetos
acima ou abaixo não há assentos
caminhe por quanto tempo for a oração
aquele que sempre agradece não ver o feio
todo pecado é pesado
ao feio tanto quanto ao bonito nada flutua sem lastro
cada palavra pode ser uma lâmina
tanto quanto afiado contato na cama
eles não tinha a visão do agora
todavia cada ser revive cadáveres
através da alquimia dos símbolos gramaticais
contudo não compreendem o significante
contido no seu significado
aos antigos o legado de terem visto o futuro
ainda não chegado,
pois oculto é até ser desvendado
escondido está no meio da multidão
esse labirinto de linha da mente nos seus dilemas de rumo
se cruzam as respostas o seu final
uma pergunta a mais é fatal
sigam em paz
fiéis de si
a essência vital é a força do animal
do ferro que fere a madeira
da madeira que prende o ferro
o vazio preenche o cheio
o cheio transborda o vazio
reintegro-me à linha do fogo
na arcaica imortalidade da forja
sem a transmutação do ouro puro ao homem tolo
sem o brinde do sangue da caça à meia noite
buscando a longevidade
a disciplina é o elixir dos imortais
na forma humana não há visão desse mistério
da lei do tempo
do princípio jorra o ouro sobre a armação de jade
a defesa absoluta está armada
não pela força, mas pela transparência da sua fragilidade
alimento-me desse pó, não da sua ganância
cinco sentidos dissipam o caminho
ao sexto vento depois das chuvas
o que era branco inverso preto torna
a carne é mordida inverte os dentes caídos
há uma noviça e um ancião no jardim da solidão
antes casulo, depois borboleta arfar furacão
crescendo às costas do antigo homem
o que era interno
o que era externo
fundidos ascendem ao micro e ao macro
o cosmo dos elementais
fogo
madeira
metal
água
terra
há segredos no cérebro
tanto quanto no ventre
inverta o fluxo vertical
aquele que ergue aos lábios
o Cinário
guarda o universo em uma gota de mel
encontra o caos da terra e do céu
revela-se na “respiração de embrião”
o retorno de si à natureza própria
a ventania que sopra a vida
é emitida pelo fogo do dragão no colo do sêmen
quantos caminhos há até o céu?!
então, eu respirei!!!

A liberdade prisioneira

A liberdade prisioneira
Carlos Mettal

solta-te!
Então,
tu me amarras!!

7 - 1

As nove caudas da raposa

As nove caudas da raposa
Carlos Mettal

estava no escuro
quando sonhava o esquecido
a bailarina dançava na escada dos olhos
quando caiu nos meus sonhos
ela chorou lágrimas
quando me amou
aquecendo o frio do sono
era manhã na cama da eternidade
quando flocos de neve eram somente a solidão
eu vejo as palavras como uma estrada de pedras
cada silêncio carrega o grito
e traduz o som da paixão
eu te amo em mim
não maculando o teu coração
sem a aflição da partida dos amantes
pois jamais é chegada a distância
às cinco horas perto do sol
os pássaros me cantam
sinfonia de renascimento não espera o terceiro dia
jamais sou o mesmo
por isso não me lembro do ontem
me repetindo como tormento
eu sou tão somente o esquecimento
como essa água do mar profundo
não tenho princípio nem fundamento
assim eu ainda te amo em mim
não há sofrimento nesse amor
resignado como a flor do jardim
caminhamos nas mãos do encontro
nessa ponte do depois antes de sermos
nós dois

Originalidade

Originalidade
Carlos Mettal

a preocupação com o que se fala
é maior que a atenção àqueles
que morrem de fome!
a lembrança não justifica a igualdade

a causa deve ser tratada
a consequência já é comprovada
não custará caro
uma vez que a riqueza jamais foi herdada

quanto mais o humano se expõe
menos se sabe da sua família
se todos escrevessem uma palavra ao dia
haveria escrituras dessa realidade

faremos uma fogueira de letras e ossos
aquecendo o frio das palavras e sonhos
aquecendo a solidão da mente

das brasas nosso alimento
das cinzas as esperanças ao vento
das lápides um agradecimento

antes do telhado da proteção
há a construção
antes da construção
há a reunião
a estrada é sinuosa,
mas guardada por flores
entre as flores há as pedras
antes das pedras somente o pó
a água conecta a vida
essa é a fronteira da alma

Sandman-and-Death-Bookends-Segunda-Edicao
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