PROJETO ESPAÇO ABERTO

atividades "cultura, educação, esporte, entreternimento

A tempestade do alquimista

16 - 2
Carlos Mettal

A tormenta
Das gotas de chuva
Criei o meu amor
No sexto dia da paixão
Crucifica-me no rio
Afogando meu coração
Um homem de rastros de pétalas amarela
Caminha no amanhecer do sol dentro da floresta
Sobre os pingos de ouro
Esse fogo cigano no vento da escuridão

Seja Cristo, há tantos Tomé na Alquimia do Templo

templo cross.jpg

Seja Cristo, há tantos Tomé na Alquimia do Templo
Carlos Mettal

sejam bem vindos
ao templo de metal
depois da porta não há paredes
depois do chão não há tetos
acima ou abaixo não há assentos
caminhe por quanto tempo for a oração
aquele que sempre agradece não ver o feio
todo pecado é pesado
ao feio tanto quanto ao bonito nada flutua sem lastro
cada palavra pode ser uma lâmina
tanto quanto afiado contato na cama
eles não tinha a visão do agora
todavia cada ser revive cadáveres
através da alquimia dos símbolos gramaticais
contudo não compreendem o significante
contido no seu significado
aos antigos o legado de terem visto o futuro
ainda não chegado,
pois oculto é até ser desvendado
escondido está no meio da multidão
esse labirinto de linha da mente nos seus dilemas de rumo
se cruzam as respostas o seu final
uma pergunta a mais é fatal
sigam em paz
fiéis de si
a essência vital é a força do animal
do ferro que fere a madeira
da madeira que prende o ferro
o vazio preenche o cheio
o cheio transborda o vazio
reintegro-me à linha do fogo
na arcaica imortalidade da forja
sem a transmutação do ouro puro ao homem tolo
sem o brinde do sangue da caça à meia noite
buscando a longevidade
a disciplina é o elixir dos imortais
na forma humana não há visão desse mistério
da lei do tempo
do princípio jorra o ouro sobre a armação de jade
a defesa absoluta está armada
não pela força, mas pela transparência da sua fragilidade
alimento-me desse pó, não da sua ganância
cinco sentidos dissipam o caminho
ao sexto vento depois das chuvas
o que era branco inverso preto torna
a carne é mordida inverte os dentes caídos
há uma noviça e um ancião no jardim da solidão
antes casulo, depois borboleta arfar furacão
crescendo às costas do antigo homem
o que era interno
o que era externo
fundidos ascendem ao micro e ao macro
o cosmo dos elementais
fogo
madeira
metal
água
terra
há segredos no cérebro
tanto quanto no ventre
inverta o fluxo vertical
aquele que ergue aos lábios
o Cinário
guarda o universo em uma gota de mel
encontra o caos da terra e do céu
revela-se na “respiração de embrião”
o retorno de si à natureza própria
a ventania que sopra a vida
é emitida pelo fogo do dragão no colo do sêmen
quantos caminhos há até o céu?!
então, eu respirei!!!

A liberdade prisioneira

A liberdade prisioneira
Carlos Mettal

solta-te!
Então,
tu me amarras!!

7 - 1

As nove caudas da raposa

As nove caudas da raposa
Carlos Mettal

estava no escuro
quando sonhava o esquecido
a bailarina dançava na escada dos olhos
quando caiu nos meus sonhos
ela chorou lágrimas
quando me amou
aquecendo o frio do sono
era manhã na cama da eternidade
quando flocos de neve eram somente a solidão
eu vejo as palavras como uma estrada de pedras
cada silêncio carrega o grito
e traduz o som da paixão
eu te amo em mim
não maculando o teu coração
sem a aflição da partida dos amantes
pois jamais é chegada a distância
às cinco horas perto do sol
os pássaros me cantam
sinfonia de renascimento não espera o terceiro dia
jamais sou o mesmo
por isso não me lembro do ontem
me repetindo como tormento
eu sou tão somente o esquecimento
como essa água do mar profundo
não tenho princípio nem fundamento
assim eu ainda te amo em mim
não há sofrimento nesse amor
resignado como a flor do jardim
caminhamos nas mãos do encontro
nessa ponte do depois antes de sermos
nós dois

Originalidade

Originalidade
Carlos Mettal

a preocupação com o que se fala
é maior que a atenção àqueles
que morrem de fome!
a lembrança não justifica a igualdade

a causa deve ser tratada
a consequência já é comprovada
não custará caro
uma vez que a riqueza jamais foi herdada

quanto mais o humano se expõe
menos se sabe da sua família
se todos escrevessem uma palavra ao dia
haveria escrituras dessa realidade

faremos uma fogueira de letras e ossos
aquecendo o frio das palavras e sonhos
aquecendo a solidão da mente

das brasas nosso alimento
das cinzas as esperanças ao vento
das lápides um agradecimento

antes do telhado da proteção
há a construção
antes da construção
há a reunião
a estrada é sinuosa,
mas guardada por flores
entre as flores há as pedras
antes das pedras somente o pó
a água conecta a vida
essa é a fronteira da alma

Sandman-and-Death-Bookends-Segunda-Edicao

A antiguidade do assédio

A antiguidade do assédio
Carlos Mettalcomo pode ser
a serpente
tanto a tentação quanto o tentado
se havia uma árvore entre o homem
e a mulher
então, a maldição somente aconteceu
após a indução
sendo os únicos e primeiros
não haveria nenhuma ambição
pois tudo estava sob o seu domínio
da criação
acaso seria o sexto mês
ainda não criado
a semente de todo o mal
quem é o alfaiate do céu
quero um terno de luz
e olhos de serpente
como botões de vidência
o labirinto do jardim é seguro
pois qual a necessidade do fruto proibido
se já estava determinada a maldição dos proscritos
lançarei o cajado aos teus pés
e a minha vontade será a ilusão das tuas pernas
essa maçã vermelha de extasia e sedução
todos os animais são a plateia
aplausos aos antagonistas
essa multidão calada sem comiseração
assistiram ao primeiro assédio sem comoção
recebam a serpente de metal
das mãos do disléxico
como troféu vindo do céu

El-pecado-original-y-la-serpiente

A equação da distância do invisível

A equação da distância do invisível
(o poema do fundamento desvendado)
Carlos MettalEla chorava um mar de águas salgadas
enquanto ele a navegava
um sacrifício para alcançar o amado
não sabia ele de deus algum
obras de sonhos na terra dos homens
esse mar une o que não se separa
quando a sereia chora uma lágrima
da distância a enseada da tua face
é uma linha sem fim no horizonte
tu és bela ainda que invisível
seja a tua forma
aos olhos de monstro que dão a norma
entrar na caverna do teu mundo
desvendando o véu do teu teto
onde há a escuridão
o que foi perdido outros haverão de encontrar
se o destino é dado
e a prece é orada

Ó nuvem agonizante
se noite
se dia
a tua alma é vazia
acorrenta a tormenta vil
faz silêncio na saudade hostil
sopra a chama ao vento
se ainda não é finda a vida
há cinzas frias erguidas ao relento

a equação da distancia do invisivel

Medidas do afastamento contínuo

Medidas do afastamento contínuo
Carlos Mettal

a cada quinze minutos adormecido
há mais valia para três horas desperto
se a função de tempo é a hora
aprenda o fuso horário próprio
podemos pensar antes,
mas somente sabemos da verdade
depois da ação tomada
antecipe os dados coletados

o mestre derrotou mil homens
somente depois meditou
o mestre derrotou dez mil homens
somente depois se reclusou
qual mestre derrota a si?
somente agora ouço o vento!
(dentro da lápide de pedra)

mesmo quando saímos de um lugar para outro,
ainda fica o registro de nossa presença naquele momento
a reunião desse elementos é a nossa materialização
estamos nos movimentando muito rápido
para percebemos esse deslocamento

atirando pedra sobre a água
eu uso apenas palavras humanas
contudo não há entendimento
o conhecimento fundamentando o pensamento
não torna excêntrica a compreensão da mente
para abrir a porta a chave contorna a si aprisionada na fenda
para a sapiência a expressão é um eco permanente
ainda que de único repente seja provido
forma uma oração consistente
ressoa um turbilhão de evidências
aprendestes a comprar!
aprendestes a produzir!
aprendestes a vender!
aprender a compartilhar não é ter!
aprender a compartilhar não é sentir!
aprender a compartilhar não é dar!
quantas vezes tu tens ainda que badalar?
após a primeira vez preciso é retornar
não tornes confusa a sua busca
repelindo o pêndulo do sino…

A taça de cristal

A taça de cristal
Carlos Mettal

você entende
a palavra
mas não compreende
o que a expressão fala
essa história de maomé
o homem da fé
casar com criancinhas
gera fanáticos de ladainhas
não haveria religião alguma
se deus existisse de idolatria
a fome ainda é o fantasma
arrastando as correntes
do ventre nas areias do deserto
quem vai adormecer primeiro
o camelo ou o tigre em cima da tigresa
comendo o jantar na mesa
heresia de véu sob o sol
sexo e orgia sob a lua do céu
ao outro lado do ocidente
ardente cria carente
sob a coroa de espinhos
sangra sobre os olhos os pecados
imundos dos irmãos no mundo
a cegueira do brilho do ouro
no coração do tolo
que na língua da serpente
orienta a corda bamba do planeta
antes da tempestade dos tempos idos
desenterrando ossos nem santos
ou demônios além das sementes
do mal ou do bem
vinho ou água
o que desejas?!

A decepção

A decepção
Carlos Mettal

antes
de pedir desculpas
lembre-se
você podia não ter
tido aquela atitude
não é mesmo?!
todavia esse direito
não tem grades de prisão
quando é profecia a ação!?
da nobreza a estupidez
humildade e o perdão
quem come a fruta verde
da verdade a humilhação?!
o erro cometido se acerto fosse
em outro dia quanta euforia seria!?
esse gosto do orgulho não é veneno
cicatriza como antídoto a compreensão!
a montanha da vergonha pesa
tanto quanto a elegância da tolerância!
qual é a razão?!
reconhecer a coragem sob a luz
não oculta a tragédia da escuridão
no sacrifício do ressentimento
a mudança é o aperfeiçoamento!
esvaziar-se é ter a liberdade
sem pendências
o caminho é a mensuração do exagero
da regra social
a desculpa está antes em si
enraizada na confiança!

eu-vou-tentar-mais-uma-vez

Mirem o passado

Mirem o passado
Carlos Mettal

se tudo passa
passamos juntos
ao passado
ainda que passados
seremos os mesmos
na rotina do dia

mesmo com outro dia
vindo atrás de outro dia
não imaginamos o que passaríamos
o relógio é monótono
contudo a hora passa
à mesma volta ao passado

falso ou verdadeiro
se há o primeiro
haverá o último inteiro

se eu quando passo
ainda continuo presente
então, eu não passo

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